quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014





‪#‎Charge‬ @Sisejufe – A barbárie cotidiana no Rio de Janeiro

"Ninguém se surpreende, ou mesmo se indigna, com um rapaz espancado, torturado e preso pelo pescoço a um poste com uma trava de bicicleta, ou com a contagem de corpos nas favelas. Ao contrário, a classe média aplaude essas ações usando o velho mantra "bandido bom é bandido morto". A barbárie já faz parte do cotidiano do carioca. Virou coisa normal. A charge é para o Sisejufe - Sindicato dos Servidores do Judiciário Federal"

Extraído de uma publicação de Latuff Brasil no Facebook.com

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Cocaína e crack: diferença é classe social de quem consome

Por Cynara Menezes, em seu blog

http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/cocaina-e-crack-diferenca-e-classe-social-de-quem-consome/














A iniciativa da prefeitura de São Paulo de experimentar outra abordagem contra o crack, hospedando em hotéis e pagando 15 reais por dia a viciados para que varram ruas me deixou muito otimista. É hora de os governantes brasileiros passarem a combater as drogas de maneira menos hipócrita e higienista – como fazem o PSDB e o DEM, que sempre preferiram simplesmente expulsar os viciados do centro ou interná-los em instituições mentais, para bem longe da vista dos “cidadãos de bem”. Obviamente os obtusos da direita (pleonasmo?) já atacaram a ideia do prefeito Fernando Haddad. Para que tentar dar uma chance a essas pessoas se é possível varrê-las para debaixo do tapete? “Pessoas? E usuário de crack é gente?”, perguntam-se os defensores dos “humanos direitos”.

Os histéricos da droga normalmente preferem nem se informar a fundo sobre o assunto, como se a mera proximidade com estudos científicos os contaminasse. Mas como a guerra às drogas que inventaram resultou apenas em crime, degradação e violência, outro tipo de pensamento começa a se impor no mundo. Não é à toa que países como Uruguai e mesmo os EUA mudaram sua visão em relação à maconha. Os EUA, aliás, estão cada vez mais liberais com a cannabis, como demonstra uma pesquisa divulgada no início do mês: hoje em dia, 55% dos norte-americanos aprovam a legalização da maconha. E só 35% deles acham que fumar baseados é “moralmente condenável” (veja aqui). Exatamente o oposto da direita ignorante (pleonasmo?) brasileira, que se recusa a aceitar a falência de seu modelo arcaico na solução de dilemas contemporâneos.

Um fato pouco divulgado sobre o crack é que ele não é uma droga tão diferente das outras, tão mais viciante que as demais. Sabia? Na verdade, existe bem pouca diferença entre o crack e a cocaína, quimicamente falando. A única diferença é a remoção do cloridrato, o que torna possível fumá-lo. É como se a cocaína fosse açúcar refinado, e o crack, rapadura. O que torna o crack mais potente é a forma de consumi-lo: fumar leva a droga rapidamente aos pulmões, fazendo com que o efeito seja mais rápido e mais intenso do que cheirar pó (veja mais mitos sobre o crack aqui). Para piorar, a pedra de crack é barata – custa 10 reais, enquanto o grama de cocaína é vendido a 50 reais. Ou seja, o crack, ao contrário da cocaína, é acessível aos miseráveis.

Saber disso nos abre os olhos a uma problemática fundamental em relação ao crack, que é a vulnerabilidade social de quem está exposto à droga morando nas ruas. É exatamente este aspecto que a prefeitura de SP pretende combater ao tentar reintegrar o viciado à sociedade, dando-lhe perspectivas. Sem oferecer-lhes perspectiva de futuro, esperança, não adianta desintoxicá-los. Ao sair da clínica, eles voltam para o vício, até porque, vivendo à margem, não têm mais o que fazer. Enquanto isso, os cocainômanos e viciados em crack das classes mais abastadas são enviados ao rehab, às clínica chiques, e a gente nem sequer chega a tomar conhecimento deles. Quem está na rua, não, “incomoda”, integra a “gente diferenciada” para a qual muitos torcem o nariz e têm medo.


(A fórmula da cocaína e a do crack: praticamente idênticos. Fonte: Alternet)

Dois anos atrás, o ator Charlie Sheen, bem conhecido de todos como o “doidão” de Hollywood, causou polêmica nos EUA ao declarar em uma entrevista que alguns amigos seus usam crack “socialmente”, assim como fazem tantos endinheirados com a cocaína. Parece absurdo? Não é. A partir das declarações de Sheen, a jornalista Maia Szalavitz, da revista Time, escreveu um artigo demonstrando que somente 15 a 20% das pessoas que experimentam crack ficam viciados. Mais: que 75,6% dos que provaram crack entre 2004 e 2006 tinham abandonado o cachimbo dois anos depois; outros 15% passaram a usar ocasionalmente; e só 9,2% ficaram viciadas.

Uma realidade bem distante do que pensávamos pouco tempo atrás, quando se costumava dizer que basta uma baforada para a pessoa ficar viciada. É possível, sim, entrar no crack e sair. Assustar os jovens em relação às drogas pode ser eficiente, mas eu acho que é muito mais importante dizer a verdade, conscientizá-los com base na ciência. “O crack não é mais tóxico que a cocaína. O que acontece é: quem toma crack? Os negros mais ferrados dos EUA. Os adolescentes com menos perspectivas profissionais”, defende um dos maiores especialistas do mundo em drogas, o espanhol Antonio Escohotado. No Brasil é a mesma coisa. Embora atinja várias classes sociais, o vício em crack é devastador sobretudo para os jovens e adultos em situação de rua.

Quanto mais leio e me informo, mais fico convencida de que não existem drogas “perigosas”. Todas elas são e não são ao mesmo tempo. O que existe é a pessoa por trás da droga e a circunstância em que vive. Se o ser humano que busca as drogas está em condição de risco – psicológico ou econômico – obviamente estará mais sujeito à adicção. Assim é com tudo que entra pela boca do homem: comida, álcool, remédios ou drogas ilícitas. A droga jamais pode estar relacionada à fuga da realidade, mas às experiências sensoriais. Quem vive na rua, dormindo na calçada ou em buracos, com certeza não está usando a droga “recreativamente”.

Se não fôssemos dominados por um pensamento tacanho e estivéssemos usando, como em muitos países civilizados, a maconha com fins terapêuticos (a exemplo dos EUA, que a direita brasileira adora macaquear, mas não nas iniciativas boas), a próxima etapa do programa da prefeitura de São Paulo deveria ser ministrar baseados como política de redução de danos do vício em crack. Vários estudos científicos comprovam que fumar maconha diminui a “fissura” entre viciados que desejam deixar a pedra, ajuda na hora de enfrentar a síndrome de abstinência. É uma possibilidade no tratamento. Os hipócritas iriam permitir? Imagina. Interessa a eles, de certa forma, que existam viciados em crack perambulando pelas ruas para que seu irracional discurso anti-drogas e anti-crime continue a ter eficiência sobre os incautos.

sábado, 1 de fevereiro de 2014



MPF/MS investiga contaminação em rio que abastece Dourados





Lacen/PR encontrou agrotóxicos em valores acima do permitido. Situação pode afetar a saúde dos moradores.
MPF/MS investiga contaminação em rio que abastece Dourados
Análise periódica deve averiguar presença de agrotóxicos na água consumida pelos moradores de Dourados. Foto: MPF/MS
Decisão liminar obtida pelo Ministério Público Federal (MPF/MS) e Estadual (MP/MS) determina a análise quinzenal da água consumida pela população de Dourados, segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul, com 207 mil habitantes. A análise deverá ser realizada na água do rio Dourados e nas fontes subterrâneas da região. O objetivo é apurar possível relação entre a contaminação da água por resíduos de agrotóxicos provenientes das lavouras e a saúde dos moradores do município.
As análises devem ser feitas pelo Governos Federal e de MS e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), sob pena de multa diária de R$ 100 mil, até que se implemente efetivamente a pesquisa de resíduos de agrotóxicos no Laboratório de Saúde Pública do Estado de Mato Grosso do Sul (Lacen/MS). 
O consumidor também deverá ser informado sobre os respectivos resultados das análises através das contas de água emitidas pela Sanesul (Empresa de Saneamento do Estado de Mato Grosso do Sul).
Água contaminada
A contaminação do rio Dourados foi identificada pelo Laboratório de Saúde Pública do Paraná (Lacen/PR), no período de janeiro a agosto de 2010, pois o Lacen/MS não possui estrutura técnica e de pessoal para realizar a identificação dos componentes tóxicos na água. 
Foi encontrada a presença do agrotóxico clorpirifós etílico - inseticida, pesticida e formicida, classificado como altamente tóxico pela Anvisa - e o temefós - larvicida comumente utilizado contra proliferação de mosquitos. Não só o consumo de água com estes produtos é prejudicial à saúde, como também afeta a alimentação dos peixes do rio, que concentram altos níveis das substâncias nocivas.
Perigos 
Nos Estados Unidos, em 2000, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) concluiu que o agrotóxico clorpirifós oferece grande risco, principalmente sobre o sistema nervoso e o desenvolvimento do cérebro e o fígado. Desde então, o produto não pode ser comercializado para uso urbano no país, e os agrotóxicos que contenham a substância têm uso restrito.
Já no Brasil, o seu uso como desinfetante domiciliar foi restrito em 2004, cinco anos após o caso ocorrido em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde 112 funcionários do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) foram fortemente intoxicados.
Já o temefós, usado pelo governo federal no combate à dengue, foi substituído pelodiflubenzuron (DFB) em 2001, depois de 34 anos de uso. Na agricultura, ambos são utilizados em todo o país.
No dia 18 de fevereiro haverá uma audiência com a União e o Estado para indicar os padrões para o cumprimento das medidas estabelecidas. A partir desta data, a União tem o prazo de 30 dias para apontar o laboratório que realizará as atividades.
O Lacen/PR não pôde mais dar continuidade às analises por problemas técnicos e reforma no setor de agrotóxicos.
Referência processual na Justiça Federal de Dourados: 0003038-17.2012.4.03.6002
 
 
 
 
 
 
 VIA http://www.prms.mpf.mp.br/

Em Porto Alegre rodoviários mantêm greve e propõem passe livre a partir de segunda-feira

Rodoviários vaiaram o presidente do sindicato | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Rodoviários vaiaram o presidente do sindicato | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Lorena Paim
Em assembleia no final da tarde desta sexta-feira (31), os rodoviários de Porto Alegre decidiram manter a greve geral, sem nenhum ônibus saindo das garagens sábado (1) e domingo (2). Dia 2, data de Nossa Senhora de Navegantes, quando se realiza a tradicional procissão religiosa, deverá, portanto, ser de dificuldade para o deslocamento dos fiéis. Outra proposta aprovada foi a de que 100% da frota circule na próxima segunda-feira (3), desde que prefeito decrete passe livre em todos os coletivos. O comando de greve formalizará pedido nesse sentido a José Fortunati. O passe livre seguiria valendo até a oferta de uma boa proposta por parte dos patrões.
Começando às 18h30, com uma hora e meia de atraso, a assembleia no ginásio Tesourinha reuniu mais de mil rodoviários. O clima de animação era visível, com palavras de ordem gritadas pelos participantes e o som de música com instrumentos, na frente do prédio. Ninguém estava disposto a voltar ao trabalho, mesmo que o sindicato tenha se comprometido a levar à apreciação da categoria o acordo firmado no TRT, de colocar 50% da frota nas ruas. O atraso no início da assembleia foi uma maneira de dar às empresas a chance de enviar uma proposta ou sinalizar com algum item, por telefone ou e-mail. O que, segundo o comando de greve, não aconteceu.
Grevistas esperam por uma proposta melhor dos empresários | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Grevistas esperam por uma proposta melhor dos empresários | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Com o discurso afinado, mesmo os mais moderados integrantes da direção do Sindicato dos Rodoviários foram levados a aceitar a continuação da greve, que era o desejo dos participantes da assembleia. “É a categoria quem decide; não tem como convencê-los e por isso estamos desobedecendo a uma ordem judicial”, disse Jarbas Franco, secretário do Sindicato. Com uma fala curta, o presidente da entidade, Júlio Gamaliel Pires, foi vaiado, mesmo que tenha afirmado: “nós somos parceiros sempre, para qualquer decisão que for tomada”.
A partir dali, a assembleia passou a ser conduzida por Alceu Weber, coordenador da comissão de negociação, que tem um discurso mais avançado. Ele colocou a palavra à disposição dos demais integrantes da comissão (representantes dos quatro consórcios), que enfatizaram a união da categoria e disseram que o “acordo” assinado no TRT, na verdade, deveria ser levado à assembleia – e somente esta poderia referendá-lo ou não.
Definida a manutenção do movimento, o próximo passo foi eleger comissões de greve para cada garagem. Essas ficarão encarregadas da “conscientização”, para que nenhum ônibus saia às ruas, como já aconteceu nesta sexta. Outra deliberação é entrar em contato com o governador Tarso Genro, já que consideram que o prefeito Fortunati “não sabe administrar”.
Assembleia não aceita acordo firmado no TRT | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Assembleia não aceita acordo firmado no TRT | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Mediação da Câmara de Vereadores
Mais cedo, representantes dos grevistas foram recebidos pelo presidente da Câmara de Vereadores, Professor Garcia (PMDB). Foi mais um canal aberto para conseguir interlocutores para o movimento. Professor Garcia destacou que a Casa objetiva criar uma comissão para acompanhar o assunto e informou que acertou com a presidência da Assembleia Legislativa de buscar ajuda no governo federal. “Iremos falar com a presidenta Dilma Rousseff, porque o que estamos vivendo hoje em Porto Alegre vai se repetir no resto do País; não é um fato isolado”, disse. Ele avalia que, a exemplo do metrô, também o serviço de ônibus deveria ser subsidiado.
Com a presença de vereadores de diversos partidos, o encontro se deu em função de pedido dos grevistas ao vereador Pedro Ruas (PSol). Mas o presidente do Legislativo municipal recebeu primeiro os integrantes da comissão de negociação e, quando esses saíram, os dirigentes do Sindicato dos Rodoviários.


http://www.sul21.com.br/jornal/rodoviarios-mantem-greve-e-propoem-passe-livre-partir-de-segunda-feira/

Agroecologia Urbana